quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Punição aos Torturadores


Paradoxos da Cidadania à Brasileira


Marcio Caniello

Acaba de ser publicado na Revista História e Cultura o meu artigo "Paradoxos da Cidadania à Brasileira: sociologia histórica do campo jurídico no Brasil", um dos capítulos, revisado e atualizado, de minha Tese de Doutorado.

Partindo da perspectiva analítica da sociologia histórica, o ensaio tem como objetivo demonstrar que a cidadania no Brasil, cingida pela desigualdade, tem um sentido peculiar e paradoxal. Daí, o designativo “à brasileira”. Forjado nos alvores da formação nacional, esse aspecto contraditório permanece incólume no âmbito do campo jurídico no Brasil, mesmo diante das transformações sociais, políticas e econômicas experimentadas pela sociedade brasileira no transcurso de sua história. O ensaio procura reconstituir a configuração do estatuto da desigualdade civil no Brasil Colonial analisando o código legal coevo (as Ordenações Filipinas), bem como as práticas nas arenas jurídicas para demonstrar que, em função de sua recorrência estrutural até os dias de hoje, ele é um traço perene da cidadania à brasileira.

Erundina diz que comissão foi covarde em não enfrentar militares

Ricardo Senra



A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), que desde 2011 tenta emplacar no Congresso uma revisão da Lei da Anistia com punição aos acusados de repressão durante a ditadura, acredita que a Comissão Nacional da Verdade (CNV) "traiu os movimentos sociais" e foi "covarde" ao não enfrentar os militares.

Europa Premia Valdênia, Ex- Ouvidora de Polícia da PB

Rubens Nóbrega

O combate à corrupção e a defesa dos direitos humanos são lutas siamesas. Uma não pode se separar da outra, por risco de as duas perecerem. Aí, o prejuízo será ainda maior para todos nós. Afinal, os corruptos ocupam lugar de destaque na galeria dos grandes violadores dos direitos humanos em todo o planeta. Graças a eles, melhor dizendo, por desgraça da existência deles, bilhões de reais, dólares ou euros- que deveriam financiar programas relevantes e produtivos de inclusão social- acabam no bolso, na conta bancária ou no paraíso fiscal para onde o bandido travestido de empresário ou agente público leva o dinheiro do povo. Dinheiro desviado da escola para a criança, do remédio para o idoso, da casa para o pobre e do respeito aos direitos dos exilados da cidadania em geral, como diria o Professor Cristovam Buarque.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Quem merece ser estuprada?


Márcia Pinna Raspanti.

" Branca para casar, negra para trabalhar e mulata para f…”

Infelizmente, o estupro tem sido um tema de constantes debates na sociedade brasileira nos últimos tempos, sempre por motivos alarmantes. O deputado Jair Bolsonaro causou polêmica e revolta ao declarar que não estupraria uma colega parlamentar porque ela “não merece”. Recentemente, o 8º Anuário de Segurança Pública divulgou que ocorrem mais de 50 mil casos por ano no Brasil, o que é um número já assustador, mas que fica mais preocupante ainda quando pensamos na quantidade de ocorrências não registradas.

Guantânamo, onde a tortura nunca para


Bolsonaro: "Não vou estuprar você porque você não merece”


Não dêem dinheiro aos Pobres! Turismo de Experiência e a Nova Desordem Urbana



Ivana Bentes

Os pobres são os novos índios? Uma humanidade singular que dispara fantasias de autenticidade, exotismo, ameaças, produz engajamento e piedade, as favelas produzem fabulações muito diversas e podem ser vistas como uma espécie de museu do capitalismo fordista e laboratório do capitalismo cognitivo, onde o que se negocia são imagens, afetos, relações.


O discurso midiático em curso, do medo difuso e demanda de repressão em relação aos territórios da pobreza (a instalação de um Estado de Exceção pré e pós UPPs), se mistura e se embaralha com as diferentes formas de consumir a pobreza, ligadas ao circuito do turismo e das trocas culturais.

Penitenciária feminina, face oculta do genocídio


Pesquisa da advogada e militante da UNEafro, Enedina do Amparo Alves, mostra a história de quatro mulheres negras encarceradas. Muito mais que simples coincidências, elas são reflexo das diferenças sociais e raciais existentes no Brasil

José Francisco Neto,

O TRÁFICO de drogas, o vínculo com bairros pobres, a baixa escolaridade, a pele preta e uma família encarcerada. Esses são alguns dos fatores que compõem o perfil das mulheres presas no Brasil. As histórias de Maria, Josefa, Luzia e Dolores* são muito mais que simples coincidências, elas são reflexo das diferenças sociais e raciais existentes no país. Invisíveis aos olhos da sociedade de modo geral, essas mulheres tiveram suas trajetórias registradas pela advogada, pesquisadora e militante da UNEafro Brasil Enedina do Amparo Alves, em sua pesquisa de mestrado.

Turismo


Não há nada mais estranho numa terra estranha,
do que o estranho que vem visitá-la.

Albert Camus


Turista, 1994. Documentação fotográfica de ação performática de Francis Alÿs. Foto: Enrique Huerta || "No dia 10 de março de 1994, fui ao Zócalo e me coloquei na fila de carpinteiros, encanadores e pintores de parede, oferecendo meus serviços como turista."

Hoje, talvez não exista uma força tão onipresente como o turismo – e isso não se deve apenas ao fato de ser esta uma das atividades mais lucrativas do capitalismo pós-industrial. O turista não é mais uma figura rara, uma aparição extraordinária. Ele faz parte da paisagem urbana, cumpre um papel vital na economia e na cultura de países e cidades. É uma “profissão” –como sugere ironicamente Francis Alÿs na ação ‘Turista’, realizada na Cidade do México.

Pessoas estão mais ricas, mas vida hoje é mais pobre', diz filósofo


Eleonora de Lucena

A vida virou uma carreira. As pessoas estão focadas o tempo todo no seu sucesso profissional. É preciso ganhar o máximo de dinheiro, ter uma família, casa grande -tudo junto. Consumismo, individualismo, carreirismo. A vida contemporânea, apesar dos avanços materiais, é mais pobre.

O diagnóstico é do filósofo canadense Barry Stroud, 79, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA). Autor de obras sobre David Hume (1711-1776) e Ludwig Wittgenstein (1889-1951), sua especialidade é o ceticismo como filosofia -basicamente o oposto do que ocorre hoje com o pensamento dominante nos EUA e mundo afora.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Beleza e Simplicidade


Santa Susana, Alentejo, Portugal

Controle Social do Sistema Carcerário


Meus romances brasileiros preferidos


Luiz Ruffato

Outra lista, desta vez contemplando apenas autores nacionais, limitada a autores que já se foram e livros publicados até 1977

Alguns leitores que consultaram a lista dos meus romances preferidos, publicada na edição passada, solicitaram outra, desta vez contemplando apenas autores nacionais. Aceitei arrolar minhas predileções, mas, neste caso, tenho que explicar e justificar algumas opções. A primeira delas: limitei-me a autores mortos, com a raríssima exceção de Raduan Nassar, que deixou de escrever ainda nos anos de 1970. Portanto, circunscrevi meu universo de escolhas até àquela década – o título mais recente é “A hora da estrela”, de Clarice Lispector, publicado em 1977. Outra observação importante: achei melhor citar apenas uma obra de cada autor, mas alguns deles poderiam, com certeza, estar aqui presentes com mais de um trabalho (casos de Machado de Assis e Graciliano Ramos, por exemplo). Finalmente, repito: trata-se de uma lista inútil, por subjetiva e aleatória, mas que talvez, como a outra, desperte curiosidade a respeito de um autor ou de um título. Eis tudo, que é nada...

Filhos: queremos uma nova geração de senhores de escravos?


Márcia Pinna Raspanti.


Pais, mães e educadores estão perdidos: não sabem o que fazer com as crianças e adolescentes. Falta de limites, desrespeito ao próximo, consumismo desenfreado, agressividade, apatia nos estudos e uma incapacidade absoluta em lidar com palavra “não” são as principais queixas. Os adultos são tiranizados pelos pequenos, mas parecem incapazes de reagir, fazendo todas as vontades de seus filhos, mesmo conscientes de que isso não lhes traz nada de bom.

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