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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Vencer a batalha das ideias


Os governos de esquerda têm que enfrentar o elemento de maior força do neoliberalismo: sua força ideológica do 'modo de vida norte-americano.'

Emir Sader

“E quando, finalmente, a esquerda chegou ao governo, tinha perdido a batalha das ideias.”A afirmação de Perry Anderson sintetiza o maior desafio para os que queremos superar e substituir o neoliberalismo em todas suas dimensões.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Pessoas estão mais ricas, mas vida hoje é mais pobre', diz filósofo


Eleonora de Lucena

A vida virou uma carreira. As pessoas estão focadas o tempo todo no seu sucesso profissional. É preciso ganhar o máximo de dinheiro, ter uma família, casa grande -tudo junto. Consumismo, individualismo, carreirismo. A vida contemporânea, apesar dos avanços materiais, é mais pobre.

O diagnóstico é do filósofo canadense Barry Stroud, 79, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA). Autor de obras sobre David Hume (1711-1776) e Ludwig Wittgenstein (1889-1951), sua especialidade é o ceticismo como filosofia -basicamente o oposto do que ocorre hoje com o pensamento dominante nos EUA e mundo afora.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Vidas descartadas



Rubens Ricupero


O que domina este verão do nosso desconcerto não são as praias: é a imagem da abjeta degradação dos presídios, da serpente de malocas de crack a se arrastar nas calçadas, da inquietante vacuidade das correrias nos shoppings.

Paisagens humanas afastadas no espaço e unidas por traço comum: vidas jogadas fora, vazias de esperança e de sentido.

sábado, 30 de novembro de 2013

Sem Obsolescência Programada


Benito Muros enfrenta a obsolescência programada

Após lançar lâmpada que dura cem anos, espanhol quer debater uma das práticas mais difundidas – e devastadoras – da produção capitalista contemporânea

Cibelih Hespanhol

Em 1999, quando o espanhol Benito Muros visitou o quartel de bombeiros de Livermore, na Califórnia, conheceu uma lâmpada que está acesa há 112 anos no local. E iluminou-se numa ideia: “Se em 1901 foi produzida uma lâmpada que dura mais de cem anos, por que não agora?”.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Tempo de ostentação


Caso do ministro polonês ironizado por usar um relógio ‘pobre’ revela como a riqueza se tornou hoje a base em si mesma do status social

Quando Radoslaw Sikorski, o ministro de Relações Exteriores da Polônia, visitou a Ucrânia no mês passado, dizem que seus colegas ucranianos riram dele pelo fato de estar usando um relógio de quartzo japonês que custara apenas US$ 165. Um jornal ucraniano fez uma matéria sobre as preferências dos ministros da Ucrânia. Muitos possuem relógios que custam mais de US$ 30 mil.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Bauman: Onde está a força educacional?



Zygmunt Bauman derruba utopias e diagnostica o nosso tempo

Os estudos do sociólogo polonês Zygmunt Bauman põem em xeque nossas ilusões e autoenganos. Suas observações sobre o hiperconsumismo (em que desejamos ser consumidores e também consumidos), a fragilidade dos laços humanos, as incertezas e fobias da vida líquido-moderna, os impasses da economia global, a busca de segurança total que provoca ainda maior insegurança são acompanhadas por análises que nos obrigam a colocar os pés no chão. Num chão que não cessa de tremer.

sábado, 25 de maio de 2013

Cidadania não é consumo




"Há uma diferença crucial entre estimular o consumo e referendar a lógica do consumismo - diferença que o atual paradigma de gestão parece desconsiderar.

No primeiro caso, a ampliação do poder aquisitivo é objetivo atrelado à consolidação e melhoria dos bens coletivos. No segundo, há um sucateamento desses mesmos bens e uma ampliação dos espaços privados e individuais de consumo", escreve José Garcez Ghirardi, professor da Direito GV/SP, em artigo publicado no jornal Valor, 21-05-2013.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Lipovetsky e o pós-moralismo: exclusão é problema, consumo não




Juremir  Machado 

Entrevistas marcantes: 

Gilles Lipovetsky, O apocalipse não acontecerá

Criativo, irreverente e politicamente incorreto até a medula, o filósofo Gilles Lipovetsky, 55 anos, autor de best-sellers polêmicos como O Império do efêmero — a moda e seu destino nas sociedades modernas (Companhia das Letras), A era do vazio — ensaios sobre o individualismo contemporâneo e O Crepúsculo do dever — a ética indolor dos novos tempos democráticos, chega ao Brasil para uma série de conferências. Na contramão de todos os credos negativos das perspectivas críticas, Lipovetsky prevê um século 21 duro, de exclusão, mas também marcado por um individualismo cada vez mais emancipador, pela passagem da paixão à amizade e pelo advento da “terceira mulher”.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Mística, ética e ecosofia


“Não há excesso de bocas, há falta de justiça”.

Frei Beto

Há estreito vínculo entre religião e ecologia. Os calendários litúrgicos refletem os ciclos da natureza. Toda religião expressa o contexto ambiental que lhe deu origem.

Os hebreus e, em geral, os povos semitas, viviam em regiões inóspitas, desérticas, o que os levou a desenvolver o senso do sagrado centrado na transcendência.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Sociedade de consumo banaliza conceito de felicidade



Mariana Melo


O sentido de felicidade é complexo e generalizações dificultam sua aplicação. Foto: Divulgação/Internet

A tendência à simplificação do que é a felicidade e do que pode tornar as pessoas felizes, própria da necessidade de criar demandas de consumo da sociedade atual, pode produzir uma redução dos diferentes sentidos e interpretações que a felicidade pode ter. “Tanto será menor a qualidade da felicidade, quanto mais se fala dela, neste caso”, diz o psicólogo Luciano Espósito Sewaybricker, autor da pesquisa realizada no Instituto de Psicologia (IP) da USP. 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Wallerstein: capitalismo, “austeridade” e saídas



Em todo o mundo, direitos sociais estão ameaçados. Exceções, China e Brasil estimulam consumo popular. Não é uma alternativa real

Immanuel Wallerstein |

A austeridade está, em todo o mundo, no centro das politicas. Há aparentes exceções, em alguns países – China, Brasil, os Estados do Golfo e talvez outros. Mas são exceções a algo que permeia o sistema mundial, hoje – e que equivale, em parte, a uma grande impostura. Quais são as questões?

Por um lado, o incrível desperdício de um sistema capitalista levou a uma situação na qual o sistema mundial está ameaçado por sua real incapacidade de continuar consumindo, globalmente, nos níveis que eram habituais

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Outros valores, além do frenesi de consumo





Eduardo Viveiros de Castro dispara: iludido por noção ultrapassada de progresso, Brasil pode desperdiçar oportunidade única de propor novo modelo civilizatório



Entrevista a Júlia Magalhães

Qual é sua percepção sobre a participação política do brasileiro?

Preferiria começar por uma desgeneralização: vejo a sociedade brasileira como profundamente dividida no que concerne à sua visão do país e do futuro. A ideia de que existe um Brasil, no sentido não-trivial das ideias de unidade e de brasilidade, parece-me uma ilusão politicamente conveniente (sobretudo para os dominantes) mas antropologicamente equivocada. Existem no mínimo dois, e, a meu ver, bem mais Brasis. O conceito geopolítico de Estado-nação unificado não é descritivo, mas prescritivo.


domingo, 8 de julho de 2012

Ostentação - o culto às marcas



Márcia Tiburi 



A hipervalorização de bens ditos “de marca” é uma característica das sociedades contemporâneas. Delas advém a distinção como forma de poder que fascina tanto ricos quanto pobres no cenário da dessubjetivação partilhada por todos, da loja de luxo ao camelódromo das falsificações.

A questão da distinção guarda em seu fundo um aspecto mais tenebroso, concernente ao presente da condição subjetiva da vida dos usuários devorados pelas antipolíticas autodestrutivas do consumismo transformado em regra.

Zerada a intersubjetividade que se definia na interação afetiva e comunicativa entre pessoas, o que resta são as coisas – e as pessoas como coisas – que podem ser compradas.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Indústria Cultural da Felicidade



Tornou-se perigoso o emprego da palavra felicidade desde seu mau uso pelas publicações de auto-ajuda e pela propaganda. Os que se negam a usá-la acreditam liberar os demais dos desvios das falsas necessidades, das bugigangas que se podem comprar em shoppings grã-finos ou em camelôs na beira da calçada que, juntos, sustentam a indústria cultural da felicidade à qual foi reduzido o que, antes, era o ideal ético de uma vida justa.

A felicidade sempre foi mais do que essa idéia de plástico.
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