sexta-feira, 5 de maio de 2017
Legalizando a escravidão no meio rural
Ana Luíza Matos de Oliveira
Projeto de Lei 6442/16, de autoria de Nilson Leitão (PSDB) pretende fazer uma reforma trabalhista também no campo.
O projeto vai na mesma linha da reforma trabalhista (PL 6787/16), ao reduzir o papel da CLT e permitir que acordos possam prevalecer à legislação. O PL também prevê ampliação da jornada e alteração do período de descanso do trabalhador “ante necessidade imperiosa”. Tal definição totalmente nebulosa traz insegurança jurídica para o trabalhador, que pode ser forçado a trabalhar mais ou descansar menos mediante solicitação do empregador. É permitido ainda que o descanso semanal seja acumulado e só retirado após 18 dias de jornada sem descanso (artigo 8).
Projeto de Lei 6442/16, de autoria de Nilson Leitão (PSDB) pretende fazer uma reforma trabalhista também no campo.
O projeto vai na mesma linha da reforma trabalhista (PL 6787/16), ao reduzir o papel da CLT e permitir que acordos possam prevalecer à legislação. O PL também prevê ampliação da jornada e alteração do período de descanso do trabalhador “ante necessidade imperiosa”. Tal definição totalmente nebulosa traz insegurança jurídica para o trabalhador, que pode ser forçado a trabalhar mais ou descansar menos mediante solicitação do empregador. É permitido ainda que o descanso semanal seja acumulado e só retirado após 18 dias de jornada sem descanso (artigo 8).
Um revés no golpe dos neo-tenentes
Pedro Maciel
Em 2008 escrevi que as relações entre o sistema judicial e o sistema político atravessavam momento de tensão sem precedentes e que a judicialização da política conduziria à politização da Justiça.
Passada praticamente uma década vemos a judicialização da política contaminando os tribunais e o ministério público, comprometendo o desempenho normal das funções do Legislativo e do Executivo e os efeitos correm de modo significativo as condições válidas da ação política e a legitimidade institucional. Porque as questões que originariamente deveriam ser debatidas e resolvidas na arena política chegam aos tribunais de forma indesejada, desqualificando o legislativo e o executivo e envolvendo o judiciário de um véu de pureza que não tem, nem nunca teve.
Passada praticamente uma década vemos a judicialização da política contaminando os tribunais e o ministério público, comprometendo o desempenho normal das funções do Legislativo e do Executivo e os efeitos correm de modo significativo as condições válidas da ação política e a legitimidade institucional. Porque as questões que originariamente deveriam ser debatidas e resolvidas na arena política chegam aos tribunais de forma indesejada, desqualificando o legislativo e o executivo e envolvendo o judiciário de um véu de pureza que não tem, nem nunca teve.
Projeto Brasil Nação
O Conversa Afiada reproduz a íntegra do Manifesto do Projeto Brasil Nação, iniciativa do professor Luiz Carlos Bresser Pereira, que mostra "uma alternativa viável e responsável para o Brasil".
O Brasil vive uma crise sem precedentes. O desemprego atinge níveis assustadores. Endividadas, empresas cortam investimentos e vagas. A indústria definha, esmagada pelos juros reais mais altos do mundo e pelo câmbio sobreapreciado. Patrimônios construídos ao longo de décadas são desnacionalizados.
O Brasil vive uma crise sem precedentes. O desemprego atinge níveis assustadores. Endividadas, empresas cortam investimentos e vagas. A indústria definha, esmagada pelos juros reais mais altos do mundo e pelo câmbio sobreapreciado. Patrimônios construídos ao longo de décadas são desnacionalizados.
quinta-feira, 4 de maio de 2017
A periferia e o PT | José de Souza Martins
A Fundação Perseu Abramo, instituição de estudos do Partido dos Trabalhadores, acaba de divulgar os resultados de uma pesquisa qualitativa sobre as mudanças de mentalidade social e política na periferia de São Paulo que levaram à decadência da mítica do partido e à sua derrota nas últimas eleições.
A pesquisa reflete o binarismo ideológico do PT e, no geral, do impolítico partidarismo brasileiro. Basicamente, a análise propõe que, no apogeu do petismo, a população da periferia era orientada por horizontes "associativistas e comunitaristas". Com a expansão e o avanço do ciclo econômico, "novos valores (...) foram gestados entre as camadas populares, que passaram a se identificar mais com a ideologia liberal que sobrevaloriza o mercado".
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Os valores da nova classe trabalhadora
Marcio Pochmann
A emergência de uma nova classe trabalhadora é permeada por especificidades nem sempre bem observadas, como revela a mais recente pesquisa da Fundação Perseu Abramo sobre a periferia de São Paulo.
No passado, a formação da classe trabalhadora industrial brasileira também havia sido demarcada por singularidades, sobretudo se comparada à europeia. Em geral, a transição da servidão para a condição de operário industrial significou regressão social, acompanhada de estranhamento e polarização, com revoltas e a construção do novo sindicalismo europeu.
A emergência de uma nova classe trabalhadora é permeada por especificidades nem sempre bem observadas, como revela a mais recente pesquisa da Fundação Perseu Abramo sobre a periferia de São Paulo.
No passado, a formação da classe trabalhadora industrial brasileira também havia sido demarcada por singularidades, sobretudo se comparada à europeia. Em geral, a transição da servidão para a condição de operário industrial significou regressão social, acompanhada de estranhamento e polarização, com revoltas e a construção do novo sindicalismo europeu.
quarta-feira, 3 de maio de 2017
Dirceu e a extensão das prisões preventivas.
Analistas falam da libertação de Dirceu pelo STF
No meio jurídico, a decisão também aquece o debate sobre a extensão das prisões preventivas
A decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira, de libertar o ex-ministro José Dirceu da prisão preventiva levou preocupação aos procuradores da Lava-Jato, que consideraram o julgamento um duro golpe contra a operação. No meio jurídico, a decisão também aquece o debate sobre a extensão das prisões preventivas e o próprio futuro da Lava-Jato. O GLOBO ouviu dois especialistas em Direito sobre estes temas.
No meio jurídico, a decisão também aquece o debate sobre a extensão das prisões preventivas
A decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta terça-feira, de libertar o ex-ministro José Dirceu da prisão preventiva levou preocupação aos procuradores da Lava-Jato, que consideraram o julgamento um duro golpe contra a operação. No meio jurídico, a decisão também aquece o debate sobre a extensão das prisões preventivas e o próprio futuro da Lava-Jato. O GLOBO ouviu dois especialistas em Direito sobre estes temas.
Dirceu: “ mídia assiste ao fracasso de sua guerra contra PT"
José Dirceu diz em carta que mídia assiste ao fracasso de sua guerra contra PT
Na carta, escrita antes do julgamento do STF que o libertou, Dirceu destaca que a guerra judicial contra a esquerda, patrocinada pela mídia desde o golpe parlamentar que derrubou Dilma Rousseff, está fracassando
O ex-ministro José Dirceu, que teve a prisão preventiva de quase dois anos de duração revogada nessa terça-feira, 2, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), escreveu uma carta de 14 páginas em que analisa o cenário atual do País, defende uma guinada à esquerda do PT e critica o governo de Michel Temer e a mídia.
Na carta, escrita antes do julgamento do STF que o libertou, Dirceu destaca que a guerra judicial contra a esquerda, patrocinada pela mídia desde o golpe parlamentar que derrubou Dilma Rousseff, está fracassando
O ex-ministro José Dirceu, que teve a prisão preventiva de quase dois anos de duração revogada nessa terça-feira, 2, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), escreveu uma carta de 14 páginas em que analisa o cenário atual do País, defende uma guinada à esquerda do PT e critica o governo de Michel Temer e a mídia.
Pesquisa mostra o papel-chave de Lula
Paulo Moreira Leite
A nova ascensão de Lula nas intenções de voto para 2018 é o melhor termômetro do sistema político brasileiro.
Lula subiu depois da liberação das delações da Odebrecht, a começar pelo risonho patriarca da maior empreiteira do país, fazendo insinuações de todo tipo, inclusive citando um nefasto general da ditadura para falar sobre seu caráter. Lula também atravessou a delação premiada de Leo Batista, o executivo da OAS que, como um aluno em exame de segunda época, refez o primeiro depoimento para tentar diminuir a própria pena, produzindo afirmações sob medida para atingir Lula. Nada.
A nova ascensão de Lula nas intenções de voto para 2018 é o melhor termômetro do sistema político brasileiro.
Lula subiu depois da liberação das delações da Odebrecht, a começar pelo risonho patriarca da maior empreiteira do país, fazendo insinuações de todo tipo, inclusive citando um nefasto general da ditadura para falar sobre seu caráter. Lula também atravessou a delação premiada de Leo Batista, o executivo da OAS que, como um aluno em exame de segunda época, refez o primeiro depoimento para tentar diminuir a própria pena, produzindo afirmações sob medida para atingir Lula. Nada.
Como a esquerda se afastou do centro – e o que fazer para retomar o diálogo
João Flores da Cunha
No Brasil, a esquerda assumiu para si própria nos últimos anos uma identidade rígida, e se afastou do centro no processo. Para sair dessa situação e voltar a dialogar com os moderados, seria preciso adotar uma nova estratégia política. Essa foi a avaliação de Moysés Pinto Neto, professor do curso de Direito da Universidade Luterana do Brasil – Ulbra, em sua palestra intitulada A desidentificação da esquerda como possibilidades na política brasileira.
No Brasil, a esquerda assumiu para si própria nos últimos anos uma identidade rígida, e se afastou do centro no processo. Para sair dessa situação e voltar a dialogar com os moderados, seria preciso adotar uma nova estratégia política. Essa foi a avaliação de Moysés Pinto Neto, professor do curso de Direito da Universidade Luterana do Brasil – Ulbra, em sua palestra intitulada A desidentificação da esquerda como possibilidades na política brasileira.
O papel da esquerda quando o Rei está nu
“O papel de uma esquerda transformadora deveria ser o de aproveitar a Lava-Jato para renovar a si e a suas práticas, e defender a reestruturação do sistema político”, afirma Vladimir Palmeira, ex-deputado constituinte e professor da FACHA, em artigo publicado por O Globo, 21-04-2017.
Eis o artigo.
A divulgação das delações dos executivos da Odebrecht revelou o que já estava latente: o sistema político brasileiro está podre. Um dos delatores foi direto: “Não há quem tenha sido eleito sem caixa 2.” Mesmo quem não pegou diretamente, recebeu via partido.
terça-feira, 2 de maio de 2017
É possível vislumbrar uma nova correlação de forças
A greve geral do dia 28 de abril – a primeira, na vigência do governo antipopular e antinacional — foi amplamente vitoriosa.
Seu sucesso excedeu as melhores expectativas das forças populares, constituindo-se numa das mais expressivas manifestações políticas da nossa História, porque nacional, abrangente, unitária, madura e democrática. Nada a ver, portanto, com a versão tendenciosa dos grandes meios de comunicação.
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Luta de classes, século XXI
Zygmunt Bauman avisou, apoiando-se em Gramsci: a democracia torna-se cada vez mais oca, quando a aristocracia financeira impõe seu poder e resta à sociedade participar de eleições cosméticas
Gustavo Henrique Freire Barbosa
“A crise consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo não pode nascer; neste interregno, aparece uma grande variedade de sintomas mórbidos”, escreveu Antonio Gramsci durante o longo período em que ficou encarcerado na prisão de Tudi di Bari, na Itália.
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