Rene Carvalho
A conjuntura política gira em torno das eleições de 2018, mas poucos se arriscariam a afirmar que elas serão democráticas. A dúvida, legítima, tem origem no contexto institucional e político em que se realizarão. Em termos micro: a reforma política aprovada no congresso reforçou a capacidade de reeleição dos atuais deputados: os recursos do fundo partidário e a propaganda gratuita vão se concentrar nas principais lideranças atuais e seus apanaiguados.
As “emendas parlamentares” liberadas pelo governo para compra de votos reforçarão a posição dos candidatos dos clãs municipais e regionais. Votar em projetos que são desaprovados por dois terços ou mais dos habitantes, apoiar um governo desmoralizado, não deixar um presidente reconhecidamente corrupto ser investigado podem não levar à rejeição do candidato: se ele se apresenta como apolítico, se a mídia não informa como votou e se puder se gabar de estar á origem de hospital, escola ou estrada inaugurada recentemente. Em resumo: infelizmente para o país, o próximo parlamento não será muito diferente do atual. Pouco representativo do que pensa a população. E eticamente desmoralizado.




