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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

O Brasil da traição

Aldo Fornaziere

O que espanta no depoimento de Antônio Palocci ao juiz Moro não foi a traição que ele perpetrou contra Lula, mas o despudorado cinismo da traição - a total desfaçatez com que foi feita. O depoimento foi, praticamente, uma delação. Nestes termos, seguiu o padrão de outras delações. Todas revelam o apodrecimento do caráter moral da política brasileira e de boa parte dos políticos e de empresários que se relacionam com o mundo político e com o Estado.

​Palocci, a exemplo de tantos outros delatores, não revelou "verdades" a Moro como forma de arrependimento moral, como sinal de consciência penitente de alguém que havia cometido graves violações da lei, como alguém que vem a público confessar imperdoáveis pecados contra a sociedade, como alguém que sente uma dor moral insuportável e um sentimento angustiante de perda da honra pessoal. Nada disso está presente no depoimento de Palocci. O único objetivo do depoimento foi torpe: conseguir um benefício pessoal, buscando que lhe seja concedido o privilégio da delação premiada. Este tipo de pessoa está apta a alcançar a liberdade para continuar persistindo no crime, assim como Temer se habilitou pela traição a chegar à presidência da República para continuar na senda criminosa.


quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Crime de traição

Pedro Pinho

“Foram os primeiros legisladores que deram à carta esse prestígio
extraterrestre...Naturalmente, teriam escrito nos seus códigos: tudo
o que há no mundo é propriedade do doutor, e se alguma cousa
outros homens gozam, devem-no à generosidade do doutor. Era
uma outra casta, para a qual eu entraria, e desde que penetrasse
nela, seria de osso, sangue e carne diferente dos outros – tudo isso
de uma qualidade transcendente, fora das leis gerais do Universo e
acima das fatalidades da vida comum.” (Afonso Henriques de Lima
Barreto – Recordações do Escrivão Isaias Caminha, 1905)

Há quem se impressione com as denúncias, muitas vezes sem provas, nesta enorme publicidade que é a Operação Lava Jato. Mas há um crime continuado que se comete contra o Brasil e continua impune. E nem mesmo encontra dispositivo legal que o tipifique: o crime da manutenção na ignorância do povo brasileiro.

terça-feira, 24 de março de 2015

Delação premiada: um questionamento jurídico-ético

Traição de Judas 


João Baptista Herkenhoff é um conhecido magistrado do Espírito Santo, comprometido com os direitos humanos, especialmente, na época da ditadura militar, um estudioso e autor de livros jurídicos. As reflexões que aqui propõe nos ajudam a pensar o que significa a delação premiada feita por verdadeiros criminosos e ladrões (como no caso da Petrobrás) que, na opinião de alguns vem considerados falsamente como heróis. Este texto nos ajuda a fazer um juízo mais matizado e sereno à luz de valores éticos. 

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Por que a ultra-esquerda brasileira é residual ?

Breno Altman

Há espaço, à esquerda do PT, para forças que pressionem pelo aprofundamento e a aceleração de reformas, buscando forjar um bloco histórico que mude a qualidade do processo de mudanças. Mas essa orientação é impossível para quem vê no PT o inimigo

Dificilmente chegará a 2% o total de votos dos candidatos a presidente do PSOL, PSTU, PCB e PCO. Mas não é apenas a influência eleitoral desses partidos que é pífia. Também são forças de pouca envergadura no movimento sindical, estudantil e camponês. Não passam de franjas isoladas na intelectualidade. Apesar de tentarem se integrar às manifestações de junho do ano passado, não tiveram papel de relevo e tampouco se constituíram em referência para as massas juvenis que ocuparam as ruas.

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