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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Uma Nova Canudos em São Bernardo do Campo

ABC paulista : 230 mil famílias não têm moradias
A ocupação do MTST se tornou um experimento social. Ali a organização vai além da questão da moradia. O crescimento tem a ver com acolhimento, solidariedade e organização social coletiva. Só Canudos atualizada em termos modernos ajuda a explicar sua força e dinamismo, escreve Luís Fernando Vitagliano, cientista político, em artigo publicado por Brasil Debate, 27-10-2017.

Eis o artigo.

Em 01 de setembro deste ano, cerca de quinhentas famílias organizadas em torno do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) ocuparam um terreno na zona metropolitana de São Bernardo do Campo. Em dois ou três dias eram mais de novecentas, depois 5 mil, e hoje, com dois meses de ocupação, somam mais de 8 mil famílias. O crescimento é exponencial e não se limita única e exclusivamente a sem tetos há muito esperando uma oportunidade de moradia. Gente que não consegue pagar aluguel, trabalhador muito pobre e sufocado pela recente crise, miseráveis da região e carências dos mais diversos tipos encontram muito mais do que uma lona erguida em torno de alguns pedaços de paus naquele lugar; encontram respeito e, principalmente, solidariedade.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Canudos: A Mídia em Campanha


Na defesa de interesses políticos e disseminando preconceitos, imprensa ajudou a construir o massacre anunciado em Canudos

Dawid Danilo Bartelt

“Há bons seis meses que por todo o centro desta e da Província da Bahia, chegado, (diz elle,) do Ceará, infesta um aventureiro santarrão que se apelida por Antonio dos Mares: o que, a vista dos aparentes e mentirosos milagres que dizem ter ele feito, tem dado lugar a que o povo o trate por S. Antonio dos Mares”. Publicada em novembro de 1874 em O Rabudo, um pequeno semanal editado em Estância, no Sergipe, esta foi, ao que se sabe, a primeira menção da imprensa brasileira a Antônio Conselheiro. Nos 23 anos seguintes, o personagem se tornaria a peça principal do grande acontecimento “Canudos”, que foi também um evento midiático nacional.

Canudos ou das Surras que a Historia pode levar.


Uma data e muitos fatos: causas do fracasso das leis sobre reforma agrária

Em artigo, o jurista Jacques Alfosin relembra o simbolismo da derrota do exército em Canudos, no dia 19 de janeiro 1897, e depois a vitória secular do latifúndio contra a reforma agrária.

Por Jacques Távora Alfonsin

Do Brasil de Fato

No dia 19 de janeiro de 1897, há 117 anos portanto, a 3 km de Canudos, no sertão baiano, um punhado da camponeses pobres, liderado por Antonio Conselheiro, obteve uma surpreendente vitória militar contra o flamante exercito da nascente republica brasileira, barrando a sua entrada naquele arraial. Esse combate passou a história como a batalha do Tabuleirinho, um dos episódios marcantes da revolta popular de Canudos. Nesse arraial se reunia gente disposta a lutar pelo acesso à terra, mesmo ao custo da própria vida, pago logo depois, em 5 de outubro do mesmo ano, com a tomada do lugar pelas tropas regulares do país e o sacrifício de quem ainda resistia.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

O enigma Canudos.

Eduardo Hoornaert.


1. Cheguei a me interessar pelo tema Canudos por ocasião de diversos simpósios organizados no Brasil e no exterior (na Colônia, Alemanha, por exemplo) em 1997, por ocasião do centenário de Canudos. Foi aí que percebi o quase consenso em torno da interpretação de Canudos apresentada por Euclides da Cunha. Naquelas comemorações, o autor dos ‘Sertões’ era considerado por muitos uma autoridade ‘inconteste’ e isso me estimulou a estudar o assunto. Hoje estou convencido de que o celebrado autor continua colocando um biombo entre nós e Canudos.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

A Nova Canudos

Maré, Rio de Janeiro

Wander Lourenço*

O escritor Euclides da Cunha em seu livro Os sertões, no capítulo intitulado “O homem”, em que diz que a expedição a Canudos “organizou-se de grande comoção nacional, que se traduziu em atos contrapostos à própria gravidade dos fatos, visto que fora a princípio espanto, depois de um desvairamento geral da opinião, um intenso agitar de conjecturas para explicar o inconceptível do acontecimento e induzir uma razão de ser qualquer para aquele esmagamento de uma força numerosa, bem aparelhada e tendo chefe de tal quilate” (CUNHA, 2002, pág. 497). Com a aniquilação dos rebeldes liderados por Antônio Conselheiro para as tropas republicanas, os combatentes fardados que sobreviveram ao prélio do sertão baiano alojaram-se no Morro da Favela, assim batizada em razão da vegetação nordestina.
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