“Brasil tem elite que se considera superior ao restante da população e que, por isso, acha que tem direito a saquear a coisa pública”, diz historiador
Clarissa Neher, DW
Há pouco mais de 80 anos do lançamento do clássico Raízes do Brasil, o “homem cordial” de Sérgio Buarque de Holanda, que não distingue o público do privado, parece ainda presente na sociedade brasileira, apesar das previsões do intelectual que a cordialidade desapareceria com a industrialização.
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quarta-feira, 21 de junho de 2017
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
Caim e o homem cordial
Alexandre Coslei
Atravessei a infância e a adolescência à sombra do Ato Institucional nº 5, o hiato da ditadura que alienou uma geração de jovens de todos os ideais políticos, das liberdades e do direito à expressão. Por uma dessas ironias da vida, cresci em frente a uma grande fábrica na Tijuca (a Brahma), que ficava ao lado do 1º Batalhão da Polícia do Exército, o temível DOI-Codi. Às sete horas da manhã, o apito da chaminé da fábrica me acordava, hora de ir para o colégio. No caminho, eu esbarrava com filas de operários iniciando a jornada de trabalho. Ao mesmo tempo, caminhava debaixo dos olhos soturnos de soldados em vigília. Formei minha consciência entre o proletariado e a repressão.
Atravessei a infância e a adolescência à sombra do Ato Institucional nº 5, o hiato da ditadura que alienou uma geração de jovens de todos os ideais políticos, das liberdades e do direito à expressão. Por uma dessas ironias da vida, cresci em frente a uma grande fábrica na Tijuca (a Brahma), que ficava ao lado do 1º Batalhão da Polícia do Exército, o temível DOI-Codi. Às sete horas da manhã, o apito da chaminé da fábrica me acordava, hora de ir para o colégio. No caminho, eu esbarrava com filas de operários iniciando a jornada de trabalho. Ao mesmo tempo, caminhava debaixo dos olhos soturnos de soldados em vigília. Formei minha consciência entre o proletariado e a repressão.
terça-feira, 5 de abril de 2016
O homem cordial
Luiz Zanin
As relações humanas no Brasil parecem ter chegado ao fundo do poço. Para comprovar, basta uma rápida olhada nas redes sociais, mas também na seção de cartas dos jornais ou na própria rua. Nem sombra do "homem cordial" de antigamente, essa leitura ingênua de Raízes do Brasil, obra-prima de Sergio Buarque de Holanda. O brasileiro, hoje, é tudo, menos cordial. Tornou-se um ser belicoso, desprovido de senso de humor, disposto a sair na porrada à menor provocação. Ou mesmo sem provocação alguma.
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