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domingo, 8 de junho de 2014
Um Cruzamento, Conto de Kafka
Tenho um animal singular, meio gato, meio cordeiro. É parte da herança do meu pai, mas só se desenvolveu no meu tempo, antes era mais cordeiro do que gato, mas agora tem tanto de um como do outro. Do gato a cabeça e as garras, do cordeiro o tamanho e a figura, de ambos os olhos que são brilhantes e mansos, o pelo que é suave e curto, os movimentos que tanto podem ser uma cabriola com um andar furtivo, quando brilha o sol enrosca-se no parapeito da janela e ronrona, no campo corre como louco e ninguém o consegue apanhar, foge dos gatos, quer atacar os cordeiros, nas noites de luar o seu caminho preferido é o algeroz, são sabe miar e tem medo de ratazanas, pode estar horas a fio à coca junto da capoeira, mas nunca aproveitou uma oportunidade para matar, alimento-o com leite doce, é o melhor para ele, sorve-os em tragos lentos por entre os dentes de predador.
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