Um dos maiores aprendizados para as pessoas que pesquisam a memória do holocausto, como eu fiz e faço, é a dificuldade em representar o testemunho de quem passou por ele, como minha mãe e, sobretudo, falar no lugar de quem testemunhou.
São várias as questões éticas e representacionais tanto para a testemunha como para o seu assim chamado "porta-voz": que direito tem o sobrevivente de ter sobrevivido?; tendo sobrevivido, como esquecer se é preciso lembrar?; como lembrar-se se ele só quer esquecer?; como falar, se aquilo que ele viveu é irrepresentável e muito poucos estão dispostos a ouvi-lo?; como ser o porta-voz de algo que não é transferível?; como dizer a experiência da catástrofe de outro?; como não dizê-lo?
